Resenha do livro "Daquelas tardes no Leblon"
- Jonatas Perote

- há 2 dias
- 3 min de leitura
Por Jonatas Perote, 7 de março de 2026.

Sinopse
Jaime tem suas raízes em Sampa, mas a vida quis que ele florescesse no Rio. Sendo assim, ao longo desta obra, você sentirá o cheiro da praia, o toque ardente dos raios de sol em sua pele, vai admirar a beleza da mulher carioca, ao mesmo tempo em que verá a garoa fina molhar teu rosto, enquanto carros fazem música com o som da água no asfalto que espirra no muro grafitado de sua mente. Sentir-se-á embriagado com as doses de alto teor poético em cada página deste livro. Passeará por lugares dentro de você, que nunca foram acessados anteriormente, fazendo com que novas sensações debutem numa velocidade metropolitana, para que, malandramente, possa chegar pontualmente - ou quase - ao final da tarde, no Leblon, para marcar um dez e em catarse absoluta por tamanho talento, admirar o deitar do sol.
ISBN: 9788559901122
Autor: Jaime Filho
100 páginas | A5 | Brochura com orelhas de 6 cm
Design Editorial e Edição: Janaína Lourenço
Direção de produção e Edição: Rones Farias Filho
Ilustrações: Everton Oliveira
Gênero: Poesia
Resenha
Dizem que a poesia é o sonho da linguagem: escrever muito utilizando poucas palavras. Escrever e, depois, escamotear, morder, rasgar, remendar... Trocar o sentido de expressões conhecidas e consagradas por outros ou arrancá-las de seu sentido deífico. Desde tempos imemoriais, a escrita foi ligada ao divino e associada à arte, e tal beleza sempre gerou prazer estético.
Em Daquelas noites no Leblon, coletânea de poemas do autor Jaime Filho, publicada através da Editora Frutificando, somos conduzidos a uma sensação calorosa da cidade maravilhosa, como se passeássemos pelas ruas do icônico bairro carioca do Leblon, eternizado nas novelas de Manoel Carlos, na poesia do Vinicius de Moraes, na irrefreável caneta de Nelson Rodrigues e na musicalidade de Tom Jobim.
As curvas do calçadão do Leblon dialogam com o vai e vem das ondas que carinhosamente beijam a areia da praia. É nesse cenário que Jaime Filho constrói parte de sua poesia, abordando temas sobre amor, a desilusão e a alegria, ao mesmo tempo em que dedica alguns dos seus versos ao ambiente que lhe inspira.
Com poemas de profunda reflexão, o leitor é convidado a pensar sobre a passagem do tempo: “O tempo é o tempo: / soberano dentre os mortais / traiçoeiro causador de ais, / o mesmo tempo que leva / é o tempo que traz”. A reflexão aproxima-se da visão presente no poema “Olá, guardador de rebanhos...”, do poeta português Alberto Caeiro, ao tratar o tempo como realidade inevitável.
Contudo, a visão de tempo aparece marcada por uma ambiguidade muito própria, se por um lado é fonte de dor e sofrimento, por outro é apresentada como possibilidade de alívio e renovação de esperanças diante das frustrações cotidianas.
Sobre o sentimento do desencanto amoroso: “Descanse a flor que me destes / sobre o túmulo do nosso amor / deixe que no tempo resseque / como em nós o amor ressecou...”. Em outros momentos, o poeta evoca a atmosfera densa e melancólica das noites cariocas, como se o mar estivesse de ressaca: “Nesta chuva que cai agora/ tem um cheiro de saudade...”
Entre o movimento das ondas, a chuva que desperta memórias e as marcas indeléveis deixadas pelo tempo, Jaime Filho, que mantém um perfil no Instagram chamado Epifania Literária, já nos revela uma poesia que conversa sobre os sentimentos universais. Sua poesia é um convite a colocarmos os pés na areia e sentir a maresia, mas também molhar-se nas lágrimas da tristeza. Um eu lírico que passeia nas montanhas e cava quando está nos vales.

Jonatas Perote é poeta, professor e habita o espaço entre o silêncio e o papel. Formado em Filosofia, encontra na escrita um modo de expurgo e resistência. Cada palavra, para ele, é uma tentativa de aliviar o peso do que não se diz — ainda que o vazio sempre retorne mais denso. Compartilha sua literatura no Instagram (@jonatasperote), onde lirismo, dor e contemplação existencial se entrelaçam. Tem obras publicadas pela Editora Frutificando, onde também assina esta coluna. Autor de "O Sopro do Vento e outras Poesias".
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Eu amo o Jaime e a escrita do Jaime. Mestre das palavras, dos sentimentos aflorados, das balas softs entaladas na garganta, da mistura de mano e cara. Jaime me lembra meu eu, paulistana há mais de 20 anos no Rio, me lembra meu eu lírico, que chora de amor e sente raiva escrevendo sobre o mesmo mote. Jaime me lembra o Frutos da Poesia, Eterno Frutos! Jaime é para ser lido sempre, onde for. Ainda bem que tem pedaços de Jaime espalhados em muros, postes e corações de muitos cantinhos do Brasil.
Jonatas, não canso de dizer que amo suas resenhas. Eu consegui juntar Jaime e Jonatas na mesma página, um feito único! É sonhar muito ter vocês dois no…